
MEMÓRIAS DENTRO DO POTE DE BARRO


Por: Maristela Jardim
Lá no Curuçá do Massauari
Minhas férias eu passava
Trilhava os rios da Amazônia
No barquinho chamado Cauixi
Lá onde tinha um barracão
O forno pra torrar a farinha
Botava peso no tipiti
Pra espremer o tucupi.
Com um paneirinho na costa
Tudo era brincadeira
Mau cabia 1 quilo de guaraná ali.
A aventura era ir pra roça
Com meus avós e depois
Voltar pra casa
E comer as compotas de cajú
Que minha avó colhia ali,
Almoçar Mutum guisado
E no ingazeiro logo ao lado
Subia e me fartava,
Pulava pra goiabeira
E acabava com o abacaxi.
Pegava a canoa e remava
Pra cabeçeira do rio
Onde havia a correnteza,
O olho d'água estava ali,
Água limpinha e gelada
Pra poder se consumir.
Minha avó logo falava:
"Menina, deixa o balde d'água aí na ponte,
Teu avô carrega daí,
O barranco é liso e o balde pesado
Tenho medo de tu cair."
E foi no Recanto da Praia Linda
Dentro da Casinha de Barro
Ao avistar um pote de barro,
Minha lembrança se fez fluir.
Sim, um pote de barro
Me fez lembrar da minha infância
Memória guardadas ali dentro
E eu voltei a ser criança.
"Pega o púcaro, enche a bilha,
A lamparina está aqui,
Escove os dentes, lave os pés,
Já é hora de dormir.
Vou te contar uma história,
Dorme logo, se não a onça pode ouvir."
Saudade bateu tão forte
Com gratidão e bonança
Lembrando de meus avós
De beber água de pote,
Olha a cutaca! Vai pular em ti!
Brotou uma lágrima no rosto,
Um sorriso no coração.
Meus versos expressam saudade,
Pois dentro de um pote de barro
Encontrei amor e emoção.
Maristela Jardim, membro da Academia Maueense de Letras ALMA.
Cadeira de n°8 - Patrono:
Juraci Andrade, o poeta popular.
(Em memória de meus avós: Elza Viana e José Cardoso)
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