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Sou Maués: Força, Fé e Ancestralidade

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Por: Maria do Socorro Barroso Leite

Minha poesia é sobre Maués,
Pois eu sou a força desta terra de pés descalços.
Eu sou Maués, trago o sangue na pele,
Sou neta legítima de Sateré – Mawé!
Guerreira da mata, dançarina da vida,
Faceira no andar, mateira destemida.
Caminho no mundo sem medo e com fé,
Com a força da ancestral que me põe de pé.
Ao Divino Espírito Santo elevo a canção,
E a Nossa Senhora da Conceição.
Nossa mãe protetora, nossa devoção.
Nascemos e crescemos onde a mata manifesta:
No coração da floresta, nossa alma é sempre em festa!
Escute o clamor de mitos e lendas,
Da Revolta dos Cabanos e de tantas contendas!
Vi a transformação que o tempo consome:
A antiga aldeia que ganha outro nome,
Passando a ser o Ramalho Júnior na história.
Vi a arquitetura mudar a Igreja na memória,
E o Prosai chegar mudando as lagoas,
Mas entre as reformas navegam as canoas.
O que nunca mudou é o grito do povo,
Que a cada batalha se força de novo!
Seu grito, sua força, foi sempre incansável:
Mulher solo, guerreira, fiel, responsável.
Plantava, colhia, cuidava do chão,
Abacaxi, banana, guaraná em plantação.
E se a vida apertava e faltava o que pôr
O chá da manhã era o seu acalento e vigor.
Mas coragem... Ah, coragem nunca faltou!
Quando a piracema em baixo d’agua andou,
Ela desafiou o mistério e a mortalha.
Chamou a ave rasga-mortalha pro café da manhã
Sem medo do agouro, sem medo da falha!
E a onça pintada, bicho brabo do chão!
Essa saiu nadando com medo do seu facão!
Pois para o mundo que racha
E para a vida que cansa
Minha avó era a cura, a solução e a esperança!
Eu sou a continuidade desse chão.
Eu sou Maués em poesia e canção!
Autora: Maria do Socorro Barroso Leite
Acadêmica da ALMA
Cadeira número 27
Patrono: Luiz Carlos Ferreira Leite
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