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Matas, águas, céus

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Por: Zequinha Gondim

Matas, águas, céus
É no verdejante destas matas que ainda ouço o murmúrio  multicor da passarinhada
Ah, quem me dera pudesse eu despertar com o gorjeio que aqui me pondera
Foi-se o tempo, foi-se a prosa, foi-se o verso
E do uirapuru nunca se sabe qual verdadeiro o seu canto ou encanto
E por que hei de ficar triste neste instante? 
Se me resta o murmúrio de cascatas fervilhantes
Que eu já não sei se era como antes
Se desmoronou, é por obra do homem em busca da cobiça febre minéria, amarela. 

Matas, águas, céus
Lagos, paranás, igapós, terra caída, cerração
A chuva forte, a tempestade imprevisível e não vencida por todos
A bonança alvissareira das manhãs primaveris
O doce cicil da brisa outonal 
Nuvens carregadas que se agitam levemente
Beijando as tranças verdejantes de antigas castanheiras
Num amplexo perene 
Sob cujas franjas verdes 
Desliza
Ostensivo e viril
O guaraná. 

Matas, águas, céus
Ah, mundurucânios, combativos e persistentes, apressai-vos
A conservação perene e natural deste fruto pão está em tuas mãos pelo suor do dia a dia. 

Matas, águas, céus 
Águas que me banho e deleito em praias purpurinas
E um lindo céu que avisto no cenário noturno de luar
O estandarte cruzeiro do sul
Pequeno rincão brasileiro
Orgulho-me ser filho teu
Deste solo altaneiro
Famoso no mundo inteiro
És tu, Mundurucânia de ontem
E minha Maués, de hoje!
Autor: José Monteiro Gondin Filho
Acadêmico da Academia de Letras de Maués - ALMA
Cadeira 18
Patrono: Clovis Prado de Negreiros
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